sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO (Carlos Drummond de Andrade)


Um sabiá
na palmeira, longe.
Estas aves cantam 
um outro canto.  
 
O céu cintila 
sobre flores úmidas. 
Vozes na mata, 
e o maior amor. 
 
Só, na noite, 
seria feliz: 
um sabiá, 
na palmeira, longe. 

Onde é tudo belo 
e fantástico, 
só, na noite, 
seria feliz. 
(Um sabiá,
na palmeira, longe.) 

Ainda um grito de vida e 
voltar 
para onde é tudo belo 
e fantástico: 
a palmeira, o sabiá, 
o longe.
 
(Carlos Drummond de Andrade. In: A Rosa do Povo - 1945)


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