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sábado, 2 de agosto de 2014

MAPAS - ERIVELTO REIS



Em que terras porei meus pés,
Quando tudo o que sei flutua?
A luz da lua, fase a fase,…
A existência protegida
Num tempo que ninguém
Quer que passe.
Em que oceano
Afogarei meus olhos?
Retina que vê ausência,
Embaçada de incoerência,
Rumor que mais maltrata
Do que salva.
Olhar de cachoeira,
Cascata e catarata:
Um fio d’água e de voz,
Córrego que escorre nós…
Barco naufragado na foz!
Apenas rio…
Apenas mar,
Lagoa…
Em que porto
Terminam meus dias,
Quando tudo o que digo
(E o que não digo)

Magoa?

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A Metamorfose - Franz Kafka


"Quando certa manhã Gregor Samsa despertou, depois de um sono intranquilo, achou-se em sua cama convertido em um monstruoso inseto".
Assim inicia "A Metamorfose", um brilhante livro de Franz Kafka.

Olá blogueiros!
Assim inicia essa brilhante história, ela se passa com o personagem Gregor Samsa, que simplesmente ao despertar, percebe que se transformou em um monstruoso inseto, e o interessante é que pela descrição dos fatos não da para saber em que inseto Gregor se transformou; Na verdade o autor quer nos trazer a reflexão sobre o tipo de sociedade que estamos inseridos. Ao se transformar em um inseto, Gregor começa a ser ignorado por seus pais e, apenas sua irmã se dispõe a levar-lhe alimento todos os dias, esta também depois de algum tempo começa a se afastar e ignorar o irmão.

Gregor, então, começa a observar o comportamento de sua família, seu pai volta a trabalhar, sua irmã consegue um emprego, depois seu pai passa a alugar quartos da casa para melhorar a renda da família, com isso Gregor percebe que ele era apenas o sustento da família e, que ambos, aproveitavam de sua condição; Agora em seu atual estado, ambos o desprezam. Vale lembrar que Gregor em nenhum momento percebe realmente que se transformou, apenas observa seus novos membros, órgãos e hábitos, acaba com o tempo se acomodando na sua nova condição.

A Metamorfose é um alerta para a sociedade que vivemos, totalmente capitalista, onde só temos valor quando conseguimos produzir, um alerta para o comportamento humano, não é só a história de um homem que se transformou em um inseto.

Espero que tenham gostado, é uma excelente história e indico que leiam!

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Soneto do poeta brasileiro - Lêdo Ivo






Não sou viril somente nas poesias.
Quero dormir contigo, pois teus pés
amassavam pitangas e trazias
no corpo inteiro a marca das marés.


Disseste que comigo casarias
- amor na cama, beijos, cafunés.
Entre-sombras de carne oferecias
tão navegáveis como igarapés.


Minha morena até dizer que não,
o nosso amor demais me recordava
duas lagoas onde me banhei.


Sou macho e brasileiro, coração:
em teu olhar eu nu e forte estava
e foi assim, morena, que te amei.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

As Crônicas de Nárnia - C.S. Lewis


As Crônicas de Nárnia é uma série de sete livros de fantasia, escrita pelo autor britânico C.S.Lewis. É a obra mais conhecida de Lewis, sendo a série considerada um clássico da Literatura, tendo vendido mais de 120 milhões de cópias mundialmente, figurando como uma das obras literárias mais bem sucedidas e conhecidas de todos os tempos, traduzida em 41 idiomas. Escrito por Lewis entre 1949 e 1954, as Crônicas de Nárnia foram adaptadas diversas vezes, inteiramente ou parcialmente, para rádio, televisão, teatro e cinema. Além dos tradicionais temas cristãos, a série usa caracteres da mitologia grega e nórdica, bem como os tradicionais contos de fadas.

As Crônicas de Nárnia apresentam, geralmente, as aventuras de crianças que desempenham um papel central e descobrem o ficcional Reino de Nárnia, um lugar onde a magia é corriqueira, os animais falam, e ocorrem batalhas entre o bem e o mal. Em todos os livros (com exceção de "O cavalo e seu menino") os personagens principais são crianças de nosso mundo, que são magicamente transportadas para Nárnia a fim de serem ajudadas e instruídas pelo Grande Leão conhecido como Aslam (ou Aslan, dependendo da tradução).

Todos os sete volumes de As Crônicas de Nárnia foram escritos entre 1949 e 1954, tendo sido publicados originalmente no Reino Unido pela editora HarperCollins entre 1950 e 1956.
Lewis lançou inicialmente O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (no original "The Lion, the Witch and the Wardrobe") em 1950, sem ter a intenção de produzir uma série de livros. Entretanto, encorajado pelas críticas positivas do público e de amigos (incluindo J.R.R.Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, de quem Lewis era grande amigo), o autor decidiu prosseguir, no ano seguinte, escrevendo outros livros contando outras histórias do mundo de Nárnia, as quais Lewis já estava desenvolvendo desde antes da publicação de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa;
Ao longo do processo de escrita dos demais livros, que levou cerca de quatro anos, até 1954, Lewis aproveitou para retomar partes anteriores da história para preencher lacunas deixadas no primeiro livro e poder, ao mesmo tempo, contar o que ocorria posteriormente ao primeiro livro. Por isso a ordem de publicação não coincide com a ordem cronológica, que é estruturada através dos eventos que ocorrem nas histórias dos livros.

Ordem de publicação: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa; Príncipe Caspian; A viagem do Peregrino da Alvorada; A Cadeira de Prata; O Cavalo e seu Menino; O Sobrinho do Mago; A Última Batalha.

Ordem Cronológica: O Sobrinho do Mago; O Leão, a Feiticeira e o Guarda - Roupa;
O Cavalo e seu Menino; Príncipe Caspian; A viagem do Peregrino da Alvorada;
A Cadeira de Prata; A Última Batalha.



http://cleitoncabralblog.blogspot.com.br/2014/07/as-cronicas-de-narnia-cs-lewis.html

terça-feira, 15 de julho de 2014

Adeus, meus sonhos! (Álvares de Azevedo)


Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!


Misérrimo! Votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto,
E minh'alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.


Que me resta, meu Deus? Morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já que não levo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Gregório de Matos IV



O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o fez todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo todo.

Em todo o Sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica o todo.

O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.

Não se sabendo parte deste todo
Um braço, que lhe acharam, sendo parte,
Nos disse as partes todas deste todo.

Traduzir-se (Ferreira Gullar)



Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão;
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?